A magia de Miró

Publicação original: Obvious (ago/14)

Aconteceu de estarmos disponíveis e resolvemos matar a vontade de ver a exposição A Magia de Miró, que estava em nossa cidade. Agora segue para o Rio de Janeiro, para Salvador, Recife e outros lugares, mais longe daqui.

Em um tom intimista, a exposição traz obras de Miró e fotos de Alfredo Melgar, que, além de médico, é fotógrafo e o curador. Percorremos os corredores e temos acesso ao universo de criação do pintor ao observar sequências de estudos – etapas da obra com pequenas modificações que vão conduzindo ao resultado final desejado. A sensação de liberdade refletida nos esboços – o uso dos diferentes materiais, os traços e as cores. Tudo fica ainda mais próximo de nós através das fotografias que mostram o pintor trabalhando em seu ateliê, ou em companhia de outros artistas e familiares.

Vamos sendo levados por esta sensação de intimidade, como se fossemos cúmplices daqueles momentos. Lentamente nos misturamos com a vida, com o processo criativo, com as companhias preferidas, até chegarmos a um painel. Lê-se nele uma pequena história. Uma história que reflete a finitude da vida e nos agarra em cheio na garganta. E dá um nó.

Conta Alfredo Melgar que acompanhava Miró em um passeio aos jardins de sua casa em Palma de Maiorca. Miró, já velhinho, andando com dificuldade, para e observa o fim de tarde, a paisagem ao seu redor e diz: “Ah… que pena”.

E este foi seu último passeio.

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/m_de_marina/2014/08/a-magia-de-miro.html#ixzz3OSNzmYsP
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