A Cultura Popular

“Quem construiu Tebas das sete portas?” – perguntava o “leitor operário” de Brecht. As fontes não nos contam nada daqueles pedreiros anônimos, mas a pergunta conserva todo seu peso.
Carlo Ginzburg – O queijo e os vermes

Temos trabalhado muito com a cultura popular por causa da Marré deci. E quanto mais pesquisamos, mais nos encantamos. E podemos considerar a internet como uma fonte inesgotável da cultura popular? Sim, e continuamos a nos encantar: pela quantidade ilimitada de possibilidades, pela variedade das opiniões, criatividade, humor.

Tem um artigo que refiro aqui porque considero muito lúcido, em que o autor coloca: “pelo fato de ser rápido, simples e barato a internet é acessível a, virtualmente, qualquer pessoa. Representa o extremo da democratização do direito de dar opinião“. E tivemos uma prova deste fato durante as manifestações populares que aconteceram recentemente. É mesmo uma revolução na comunicação que todos possamos expressar uma opinião. É a soberania da cultura popular. Não importa aqui a profundidade, a fundamentação. O que focamos é que exercer este direito eleva a cultura popular a um novo patamar. Confere ao indivíduo uma sensação de pertencimento, o poder de defender as suas causas e agrupar-se para elevar sua voz.

Resta saber como este processo se desenvolverá. Há o desespero dos eruditos, dos PIMBAS (Pseudo Intelectuais Metidos a Besta, conforme Ademir Luiz no artigo referido acima), das grandes corporações e dos governos. Porque novas vias se abrem e nada será como antes. 

Se a liberdade de expressão e de opinião distribuídas pelas plataformas da rede incomodam sobremaneira os setores que definem as razões de Estado como princípio superior, a liberdade de criação de novas tecnologias, aplicações ou formatos têm preocupado e colocado em risco os velhos modelos de negócios de grandes corporações erguidas no mundo industrial. (daqui)

Estamos construindo a nova cultura. Popular. É o povo no poder? Esperemos que sim. E que o povo saiba fazer bom uso deste poder.